Felizmente, a ciência avança. Resultado! a incorporação do duplo diagnóstico.
Até 2013, pais de crianças com Autismo e TDAH viviam um pesadelo. A regra antiga forçava o médico a escolher um diagnóstico só. O resultado? A criança recebia apenas metade do tratamento que precisava. Mudanças cruciais na relação entre o Autismo e o TDAH com a chegada do DSM-5 em 2013. A alteração mais revolucionária foi a derrubada da proibição do duplo diagnóstico. O DSM-5 reconheceu o que as famílias já sabiam na prática: TDAH e TEA não só podem existir juntos, como se misturam o tempo todo.
O grande desafio para os pais e para a escola é lidar com o "paradoxo" dessa criança. O lado do Autismo clama por rotina, regras claras e previsibilidade. O lado do TDAH sabota essa mesma rotina com distrações, impulsividade e desorganização. É um cérebro que entra em curto-circuito com frequência. Por isso a conduta médica precisa ser completamente diferente. Não basta apenas medicar a desatenção (o que às vezes até acentua a rigidez do autismo). É preciso equilibrar a química do TDAH enquanto as terapias (Psicologia, neuropsicopedagogia, fonoaudiologia) ajustam as necessidades sensoriais, de aprendizagem e sociais do TEA.
Saber diferenciar os processos de aprendizagem que precisam de adaptações e intervenções individualizadas é o que separa um processo de sucesso de um frustrante.
A valorização da Neuropsicopedagogia não começa no reconhecimento dos outros. Começa na qualidade da atuação de cada um de nós. Na Neuropsicopedagogia, não é a intensidade de um dia que transforma uma prática. É a constância de quem escolhe aprender, aprimorar e fazer melhor todos os dias. A neuropsicopedagogia une os conhecimentos da neurociência, da psicologia cognitiva e da pedagogia para entender como o cérebro processa, armazena e evoca informações. No caso do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), essa ciência é uma ferramenta poderosa: ela não foca no diagnóstico clínico em si (que é médico), mas sim em como as funções executivas impactadas pelo TDAH afetam diretamente o aprendizado da criança ou do adolescente. O cérebro com TDAH apresenta uma desregulação em neurotransmissores (como a dopamina) na região do córtex pré-frontal, responsável pelas funções executivas. Na prática escolar e acadêmica, isso gera obstáculos específicos:
Memória de Trabalho Reduzida: Dificuldade em reter instruções longas enquanto realiza uma tarefa (ex: o professor fala uma regra de três passos, e o aluno esquece o segundo ao começar o primeiro);
Déficit de Atenção Sustentada e Alternada: Dificuldade extrema em manter o foco em estímulos de baixo interesse ou em filtrar distrações do ambiente;
Dislexia Organizacional e Procrastinação: Falha no planejamento e na estimulação do tempo. O estudante não sabe por onde começar um trabalho longo ou como dividir seu tempo de estudo
Controle Inibitório e Impulsividade: Responder a questões sem ler o enunciado até o fim ou desistir rapidamente de tarefas complexas por baixa tolerância à frustração. Para transformar o potencial do, aluno/paciente em resultados reais, as estratégias de intervenção são essenciais. Para Ambiente de Casa: - O cérebro com TDAH precisa de suporte externo para compensar o que falta internamente na organização; Rotinas Visuais Previsíveis; Método de Estudo Fracionado; Externalização do Tempo.
Ambiente Escolar - A sala de aula tradicional pode ser hostil para quem tem TDAH. Pequenos ajustes de manejo pedagógico mudam o cenário: Instruções Curta e Únicas; Ancoragem Física e Localização; Antecipação e Rotina Clara; Respostas Alternativas.
No ambiente clínico, o foco é a reabilitação cognitiva e o desenvolvimento da metacognição Treino de Funções Executivas com Autoinstrução: Ensine o paciente a usar a "fala interna" para guiar suas ações. O modelo de Meichenbaum (Parar 🛑 -> Pensar 🤔 -> Planejar 📝 -> Executar ✅ -> Avaliar 🔄) ajuda a reduzir o comportamento impulsivo.





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