COMO A ESCOLA DEVERIA AGIR COM ALUNOS NEUROATÍPICOS
- Silvana Pozzobon
- 14 de jan.
- 2 min de leitura
A volta às aulas ou a mudança de escola podem ser momentos desafiadores para qualquer criança, mas no caso das neurodivergentes, como as que estão no espectro autista, esse processo costuma exigir cuidados e estratégias mais individualizadas. Afinal, cada transição envolve novos ambientes, regras, rotinas e pessoas desconhecidas.
Cada criança é única, com características, vivências e modos de se relacionar com o mundo próprios. Algumas têm mais dificuldade na comunicação verbal, outras apresentam comportamentos que desafiam as normas sociais. Isso exige um olhar atento da escola e uma escuta ativa da família para que a adaptação seja feita.
A escola precisa abandonar a lógica de querer "corrigir o aluno" o tempo todo e adotar a lógica de ajustar o ambiente às necessidades individuais para potencializar o aprendizado de alunos neurodivergentes. Isso inclui:
- flexibilização curricular real;
- aceleração quando indicada;
- enriquecimento cognitivo;
- metodologias abertas e diferenciadas;
- avaliação diferenciada;
- respeito à assincronia;
- formação docente específica;
A escola não deve perguntar "como fazê-lo obedecer e se interessar pelo o que está sendo ensinado?", mas, "como dar sentido ao que ensinamos?".
Pessoas neurotípicas não aprendem melhor sob pressão constante. Aprendem melhor sob metodologias de ensino adequadas, currículos adaptados, integração no grupo, respeito à sua forma de compreender o mundo e segurança emocional. A pressão excessiva ativa respostas de estresse, que bloqueiam funções executivas superiores. O resultado costuma ser queda de rendimento, irritabilidade, somatizações e, em alguns casos, recusa escolar e crises emocionais.
O modelo escolar hegemônico foi construído para padronização, controle de grupos grandes e previsibilidade, não para funcionamento neurodivergente. Assim, mede-se comportamento adequado, cumprimento de regras, entrega de tarefas e adaptação ao ritmo médio. Para o neuroatípico, isso gera estresse e maior dificuldade de se submeter passivamente a tarefas sem nenhum sentido.
Mais do que um local de aprendizagem acadêmica, a escola é o espaço onde a criança é desafiada a colocar em prática diversas habilidades desenvolvidas em casa ou nas terapias. “Quando bem adaptada, a escola se torna um ambiente potente para o desenvolvimento emocional, motor e cognitivo da criança”. Vivências bem estruturadas favorecem a autonomia, a socialização e o fortalecimento de habilidades essenciais para a vida em sociedade.





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