Pensar demais é uma condição: é um mecanismo de proteção emocional disfuncional
- Silvana Pozzobon
- há 6 dias
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Mudar é um manifesto cognitivo; exige volição, atenção e o pleno exercício das funções executivas.
O que queremos para nós mesmos é indelegável. Embora o ambiente possa nos trazer turbulência ou calmaria, a regência da vida permanece em nossas mãos. Mudar é um feito meu e seu. Quando o cérebro entra nesse modo hiperativo, ele revisita conversas antigas buscando “a resposta perfeita”, cria cenários improváveis para evitar surpresas e trava decisões simples como se cada escolha carregasse consequências irreversíveis. Não é fraqueza, é um cérebro tentando proteger mais do que precisa.
A Neurociência descreve esse processo com clareza: quando a amígdala percebe ameaça (real ou imaginada), assume o comando. O sistema entra em hipervigilância, e o córtex pré-frontal, responsável por análise, foco e planejamento, trabalha com menos eficiência. Resultado: você não pensa melhor; apenas pensa mais, e com mais desgaste.
Na Educação, isso aparece de forma nítida. Estudantes que revisam cada erro como se fosse identidade. Professores que se cobram além do saudável. Gestores que tentam prever cada variável antes de decidir. Mas o aprendizado humano e acadêmico exige justamente o oposto: tolerância ao erro, presença, significado. O cérebro só aprende quando se sente seguro. E segurança não nasce do excesso de análise; nasce de vínculos, clareza e regulação emocional.
Na vida pessoal, pensar demais cria ruídos em relações que poderiam ser simples. Afeto vira cálculo. Conversas viram tentativas de controle. E a espontaneidade dá lugar a uma hiperinterpretação que desgasta mais do que protege.
Na vida profissional, o mesmo mecanismo gera paralisia, procrastinação e perfeccionismo. Um cérebro superprotetor tenta evitar falhas… mas acaba impedindo o desempenho saudável. Crescimento pede coragem moderada, e não vigilância permanente.
Amadurecer emocionalmente é ensinar o cérebro a confiar. A reconhecer riscos reais sem criar tempestades imaginárias. A substituir o excesso de vigilância por presença. Pensar com profundidade, não com sofrimento.
No fim, é isso: às vezes, o cérebro protege tanto… que esquece que viver também exige leveza.





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