Neurodivergências passam despercebidas justamente porque não “dão trabalho”.
- Silvana Pozzobon
- há 3 dias
- 1 min de leitura
Há um erro silencioso acontecendo nas salas de aula: algumas neurodivergências passam despercebidas justamente porque não “dão trabalho”.
O TDAH que não é hiperativo, mas vive em distração interna.
A criança com altas habilidades que termina tudo rápido, se entedia e começa a se desorganizar.
A discalculia mascarada por esforço extremo.
O TEA nível 1, com boa linguagem, mas exausto socialmente, rígido, ansioso e sobrecarregado sensorialmente.
Esses alunos não gritam. Eles compensam.
E quem compensa demais, cansa demais.
A Neurociência mostra que cérebros neurodivergentes não funcionam “menos”, funcionam diferente. Processam informação em ritmos, vias e intensidades distintas. Quando a escola espera apenas um tipo de atenção, um tipo de resposta, um tipo de comportamento, ela transforma diferença em invisibilidade.
O problema não é o aluno. É o filtro.
Muitos professores foram formados para identificar o “desvio que incomoda”, não o “desvio que se adapta”. E isso cria um paradoxo: quanto mais a criança tenta se ajustar, menos ajuda recebe. Quanto mais ela se esforça para parecer “normal”, menos suas necessidades são vistas.
No médio e longo prazo, isso cobra um preço alto: ansiedade, queda de autoestima, sensação de inadequação, esgotamento cognitivo, perda de sentido na aprendizagem.
Incluir não é apenas acolher quem se destaca pelo excesso de comportamento.
É perceber quem se esgota em silêncio tentando caber.
Uma escola verdadeiramente inclusiva não pergunta apenas “quem está atrapalhando a aula?”, mas também:
“Quem está se esforçando demais para não atrapalhar?”
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