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O papel do sistema imunológico no desenvolvimento do autismo

  • Foto do escritor: Silvana Pozzobon
    Silvana Pozzobon
  • 25 de abr.
  • 2 min de leitura

O papel da ativação neuroglial e da neuroinflamação ainda é incerto, mas pode ser crucial na manutenção, senão também na iniciação, de algumas das anormalidades do SNC presentes no autismo. Uma melhor compreensão do papel da neuroinflamação na patogênese do autismo pode ter importantes implicações clínicas e terapêuticas.

O transtorno do espectro autista (TEA) é um problema global. Déficits persistentes na comunicação e interação social em múltiplos contextos; padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades; e sintomas presentes no início do desenvolvimento que causam prejuízo em múltiplas áreas do funcionamento. A etiologia desse transtorno é multifatorial. A prevalência de TEA em crianças aumentou nas últimas três décadas. A prevalência mediana de TEA em crianças é de 1/100, com uma variação de 1,09/10.000 a 436,0/10.000.

Reações neuroimunes inatas desempenham um papel patogênico em uma proporção indefinida de pacientes autistas, sugerindo que futuras terapias podem envolver a modulação das respostas neurogliais no cérebro.

Durante muito tempo, o autismo foi interpretado apenas pelo comportamento observável.


Hoje, a ciência mostra algo maior: o Transtorno do Espectro Autista envolve múltiplos caminhos biológicos. Entre eles, pesquisas sobre neuroinflamação, sistema imune e desenvolvimento cerebral vêm recebendo destaque.


Estudos identificaram, em parte dos indivíduos com TEA, achados como ativação microglial, alterações em citocinas inflamatórias e diferenças na resposta imune. Esses mecanismos podem influenciar conectividade neural, processamento sensorial, autorregulação e trajetórias do neurodesenvolvimento.


Importante: isso NÃO significa que “autismo seja inflamação”.


Significa que compreender esses processos ajuda a:

✔ refinar hipóteses científicas

✔ reduzir explicações simplistas

✔ avançar em cuidado individualizado

✔ ampliar possibilidades terapêuticas futuras


O autismo é heterogêneo. Pessoas diferentes podem apresentar mecanismos biológicos diferentes. E é justamente por isso que a ciência precisa continuar avançando.

Ciência séria não simplifica. Ela aprofunda.


Referências científicas:

• Vargas DL et al. Neuroglial activation and neuroinflammation in the brain of patients with autism. Ann Neurol. 2005.

• Estes ML, McAllister AK. Maternal immune activation and neuropsychiatric disorders. Science. 2016.

• Hughes HK et al. Immune dysfunction and autoimmunity as pathological mechanisms in autism spectrum disorders. Front Cell Neurosci. 2018.

• Chun H et al. The role of microglia in neurodevelopmental disorders. Nat Neurosci. 2020.

• Bjørklund G et al. The role of inflammation and oxidative stress in autism spectrum disorders. Mol Neurobiol. 2020.


 
 
 

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Criado por Siomara Guzelotto e Luiza Guzelotto     

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