Os HÁBITOS de pessoas com TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA (TEA)
- Silvana Pozzobon
- 30 de mar.
- 2 min de leitura
Os HÁBITOS de pessoas com TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA (TEA) constituem um conjunto de padrões comportamentais e cognitivos que refletem particularidades no processamento sensorial, na regulação emocional e na organização do pensamento. Tais hábitos não devem ser compreendidos como meras preferências, mas como ESTRATÉGIAS ADAPTATIVAS que favorecem PREVISIBILIDADE, SEGURANÇA e AUTORREGULAÇÃO diante de um ambiente frequentemente percebido como imprevisível.
Um dos aspectos mais descritos na literatura é a TENDÊNCIA À ROTINA E À REPETIÇÃO. Indivíduos autistas frequentemente estruturam seu cotidiano com base em sequências previsíveis de atividades, o que reduz a ansiedade associada à incerteza. Essa necessidade de previsibilidade está relacionada à chamada RIGIDEZ COGNITIVA, que dificulta a flexibilidade diante de mudanças inesperadas (APA, 2013; Hill, 2004). Assim, hábitos como seguir horários fixos, utilizar sempre os mesmos objetos ou percorrer rotas idênticas são formas de organizar o ambiente interno e externo.
Outro conjunto de HÁBITOS envolve os chamados COMPORTAMENTOS REPETITIVOS e INTERESSES RESTRITOS, que podem incluir MOVIMENTOS MOTORES ESTEREOTIPADOS (como balançar o corpo ou movimentar as mãos), REPETIÇÃO DE PALAVRAS OU FRASES (ecolalia) e foco intenso em temas específicos. Esses comportamentos, frequentemente denominados "ESTEREOTIPIAS", têm FUNÇÃO REGULA TERIA, auxiliando no MANEJO DE ESTÍMULOS SENSORIAIS E EMOCIONAIS (Leekam et al., 2011). Longe de serem disfuncionais em si, esses hábitos podem contribuir para a concentração, o conforto e a organização psíquica.
Os hábitos sensoriais também são centrais. Muitas pessoas com TEA apresentam hiperresponsividade ou hiporresponsividade sensorial, o que influencia diretamente suas preferências e rotinas. Esses padrões estão associados a diferenças na integração sensorial, impactando a forma como o indivíduo percebe e interage com o ambiente (Dunn, 1997).
No âmbito social, os hábitos podem refletir formas particulares de interação e comunicação. Pessoas autistas podem preferir interações mais estruturadas, com menor ambiguidade social, e desenvolver rotinas comunicativas previsíveis. Além disso, podem apresentar padrões específicos de uso da linguagem, com foco mais literal e menor uso de pistas implícitas, o que influencia a construção de vínculos sociais (Frith, 2008).
Os hábitos no TEA não são homogêneos, variando amplamente conforme o nível de suporte necessário, ο contexto sociocultural e as características individuais. Tais hábitos devem ser compreendidos como expressões legítimas de funcionamento neurológico, e não apenas como déficits.
BIBLIOGRAFIA:
- American Psychiatric Association (2013). DSM-5.
- Dunn, W. (1997). The impact of sensory processing abilities.
- Frith, U. (2008). Autism: A Very Short Introduction.
- Hill, E. L. (2004). Executive dysfunction in autism.
- Leekam, S. R. et al. (2011). Restricted and repetitive behaviors in autism.




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